Maria Lenk: a mãe da natação brasileira

10
abr 2015

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Oitavo lugar. Muitos acreditam que esta não é uma posição digna de uma campeã, ainda mais numa Olímpiada, mas vamos lá: quem fala isso sem entender a história dessa lenda da natação brasileira não pode estar mais errado.

Maria Lenk, a nadadora que teve seu nome eternizado em um troféu e um parque, começou a nadar aos 10 anos. O motivo? Uma pneumonia. Os pais, imigrantes alemães, julgaram que a natação faria muito bem a sua filha após o susto. A decisão foi tomada também em vista de um drama familiar. Maria havia perdido a sua irmã gêmea, Hertra, aos 6 meses de idade, em decorrência de uma complicação na saúde da menina.

De lá para as Olímpiadas de Los Angeles em 1932 foram sete anos de muito treino, inclusive, várias dessas preparações foram realizadas no rio Tiete, na sua época áurea, em meados de 1925, quando ainda era possível nadar e praticar esportes nele.

Aos 17 anos, Maria Lenk era, inegavelmente, atleta de nível mundial. Foi convidada a participar do embate olímpico em Los Angeles após nadar excepcionalmente bem num torneio interestadual, que contava com apenas duas outras meninas dentre os competidores. E foi. Num navio cargueiro, o Itaquicê, e numa viagem que duraria um mês.

Sem treinar durante o período do embarque até o desembarque nos Estados Unidos, sem equipamentos, tendo que vender café para cobrir as despesas da viagem, nadando com maiô emprestado e, talvez o fato que causasse mais estranhamento, pelo menos na época, sem a companhia do pai numa delegação composta por ela e mais 66 homens, Maria Lenk conseguiu se sagrar oitavo lugar na competição mundial.

Não houve festa no seu retorno ao Brasil. Para falar a verdade, nenhum atleta foi recebido com louros. Maria Lenk e seus companheiros de delegação desembarcaram num Brasil em plena revolução constitucionalista.

Após sua participação em Los Angeles, Maria nunca mais se afastou da natação. Foi se tornar professora na cidade de Amparo (SP). Lá voltou a enfrentar o preconceito: o bispo da região não aprovava os esforços que Maria vinha fazendo para difundir a natação pela cidade, o que em contrapartida, aumentava muito o número de pessoas em trajes de banho, vistos como imorais pela igreja.

Maria não se acanhou: continuou a lutar pela natação brasileira em Amparo e pelo país afora. Seus recordes começaram a aparecer em 1939, um pouco depois do que ela mesma gostaria. Em 1936, seu sonho olímpico foi novamente atrasado, dessa vez por causa da 2ª Guerra Mundial. Mas em 39, ela tirou o atraso, estabelecendo dois recordes: 400m e 200m, ambos peito.

Se aposentou em 42, mas permaneceu uma figura ativa na natação. Sendo honrada e, finalmente, tendo a sua importância para o esporte do Brasil reconhecida em 2007, quando o Troféu Brasil de Natação foi rebatizado com o seu nome.

Morreu aos 92 anos e como não poderia deixar de ser, perto de uma piscina. E hoje, inspira milhares de jovens brasileiros que desejam deixar nas águas um legado tão forte quanto o dela.

Definitivamente, uma guerreira!

3.692 ideias sobre “Maria Lenk: a mãe da natação brasileira

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