Para frente Brasil: Gustavo Borges fala sobre futebol, natação e sua vida após as competições.

19
mar 2013

Como diz a máxima popular, cada brasileiro tem um pouco de médico, louco e técnico de futebol. Por isso, é muito comum cada pessoa ter seu palpite do que é o melhor para a seleção brasileira de Futebol. Ainda mais nessa época do ano, em que todos os olhos estão voltados para preparação da Seleção, que na segunda quinzena de junho disputará a Copa das Confederações, jogada nas novíssimas arenas em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Salvador, Recife e Rio. Assim, essa competição ganha um peso maior e funcionará como a grande vitrine para a Copa do Mundo em 2014.

Se pudesse soprar no ouvido do técnico Luiz Felipe Scolari, o que você diria como receita de vitória? Apesar de já ter dito a imprensa que não tem a obrigação de vencer essa competição, é evidente que o treinador terá uma baita responsabilidade no tempo de trabalho à frente do grupo montado por Mano Menezes. Ele não poderá fugir da tradição que a equipe ostenta cada vez que entra em campo.

Por isso, a Centauro Sports Magazine ouviu um time de primeira. São opiniões de vitoriosos atletas olímpicos, que sabem bem como é competir em casa. Eles dão o alerta ao Felipão. Ingredientes como espírito de equipe, motivação e autocontrole extrapolam a técnica e podem dar a vitória ao time que tiver isso como diferencial.

Ter a torcida ao lado também pode ser um fator positivo. É o que acredita o medalhista olímpico e ex-nadador Gustavo Borges. Hoje empresário, adquiriu know-how suficiente para dar a palavra em situações como essa.

Centauro Sports Maganize: A torcida brasileira pode vir a ser um adversário da Seleção na Copa das Confederações?

Gustavo Borges: Acho que vai ajudar mais do que atrapalhar, com certeza. Não tive a oportunidade de nadar e representar o país no nosso solo em nenhuma competição tão grande como Olimpíada ou Pan-Americano, mas em 1995 competi no Mundial do Rio e naquele ano realmente interferiu positivamente. Deu o resultado esperado, conseguimos superar e crescer. O povo sempre foi muito mais crítico com o futebol do que qualquer outro esporte. Lógico que medalhas no início da competição, independentemente de qual esporte elas aconteçam, ajudam a motivar e baixar um pouco a expectativa de ainda não vir o ouro, a prata ou o bronze. Isso pode ser uma pressão que pode acontecer com qualquer país. Mas acho que a torcida brasileira vai jogar a favor e vamos crescer juntos.

CSM: Se fosse convidado para conversar com os jogadores da Seleção sobre administrar essa pressão, o que aconselharia?

GB: É muito importante saber que a pressão existe, e administrá-la de uma forma fazendo o seu melhor é o momento principal. Uma coisa que sempre soube fazer durante a minha carreira, principalmente nos momentos de pressão e dar resultados, é não me preocupar muito com o que as outras pessoas estão falando. E nunca deixar coisas sem respostas. Acho muito difícil você ser criticado e não ter respostas ou presença para pelo menos colocar o seu ponto de vista. Lógico que em determinados momentos, e o futebol é uma coisa muito grande, tem uma pressão diferente e momentos que você pode fazer isso. Mas para suportar a pressão é preciso fazer o melhor, ter tranquilidade, estar comprometido com aquilo que você se propôs a fazer, e assim fazer o melhor trabalho que você pode fazer naquele momento. Ter a certeza de que quando sair do campo, ou do seu local de trabalho, ter feito o seu máximo. Isso é um sentimento importante que cada um deve levar consigo.

CSM: Em relação à sua experiência de competições, qual das quatro Olimpíadas que disputou foi a mais marcante?

GB: Em 1992, uma competição que teve várias situações. Foi a primeira Olimpíada que participei e teve a questão da medalha que demorou a chegar porque o placar não funcionou. Foram 40 minutos de demora até o resultado, um momento de angústia e chateação. Mas depois rendeu uma bela história e me trouxe a medalha de prata, um marco na minha carreira. Lógico que em 1996 foi o meu melhor resultado como atleta, mas a Olimpíada de 1992, pela novidade, pelo que aconteceu e pela medalha de prata, foi a mais representativa.

CSM: Outro momento difícil da carreira de um atleta é o momento de parar. Como foi a decisão de se aposentar?

GB: É um momento de transição na vida de qualquer pessoa. Quando você encerra um esporte competitivo, ou está prestes a encerrar, surgem algumas incertezas do que fazer, onde atuar, de como proceder e, dentro disso, fica claro que você vai perder um pouco da sua essência nas coisas que sempre fez. Essa relação é difícil. E quando você está no pós-carreira fazendo algo pelo qual é extremamente apaixonado, aí você se encontra. Se você conseguir fazer essa transição durante a pratica esportiva, melhor ainda. Senão, terá que trabalhar o aspecto psicológico e mental, saber que precisa focar em outras coisas e desenvolver trabalhos em outras áreas para poder continuar crescendo profissionalmente.

CSM: Como empresário, também conseguiu se realizar? Você se considera melhor fora ou dentro da piscina?

GB: Sempre faço o meu melhor. E quando isso acontece você realmente tem chances de se tornar uma pessoa excelente no seu trabalho. É um parâmetro diferente, de ser um medalhista olímpico com a satisfação de um cliente que você atende. Como funciona essa comparação: acho que faço um bom trabalho porque dou o meu melhor no atendimento às pessoas, assim como minha equipe também. Como é um trabalho em grupo, muitas pessoas dão resultados separadamente dentro da minha empresa. Tem muitas coisas que estão ao redor desse indicador. Mas hoje trabalhamos com uma empresa que está buscando prosperidade, que trabalha de forma ética em vista da satisfação dos clientes, que paga as contas do nosso dia-a-dia, precisam estar satisfeitos, e buscando um comprometimento da equipe para buscar todos esses resultados. É difícil dizer, mas a minha dedicação dentro das piscinas para ganhar as medalhas é a mesma que tenho hoje nos meus negócios. A diferença é que não ganho medalhas olímpicas. Os indicadores e os prêmios são outros.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.