Você encararia uma travessia ida e volta no Canal da Mancha? O atleta Igor de Souza encarou e hoje aparece no Hall da Fama da Natação Internacional.

07
nov 2012

Ícone das águas abertas

Em 1969, quando começou a nadar nas piscinas de Santo André, provavelmente nem passava pela cabeça de Igor de Souza ter uma carreira tão vitoriosa como nadador de águas abertas. Nas piscinas, conquistou muitos títulos de campeonatos paulistas e brasileiros, mas, como ele mesmo diz: “apesar de ter sido um bom atleta, o máximo que consegui internacionalmente foi medalha em um Sul-Americano”. Em 1981, aconteceu o primeiro Circuito Paulista de Travessias, no qual venceu todas as etapas e consagrou-se campeão, mas ainda não foi então voltou-se  completamente para as águas abertas. Até 1985, manteve seu foco direcionado para as piscinas.

Um dos grandes marcos de sua carreira foi o Canal da Mancha. Aos 10 anos, quando assistiu ao musical Deus Salve a Campeã – trajetória de uma atleta americana que cruzou o Canal da Mancha -, se impressionou e desejou um dia enfrentar igual desafio. Anos mais tarde, ao perder sua amiga e companheira de treinos e viagens, Renata Agondi, justamente na travessia do Canal da Mancha, sentiu que era a hora de partir para esse desafio. “Sempre digo que o ser humano é o único animal na terra que desafia a própria vida por prazer; confesso que queria saber até onde eu poderia ir”.

Em 1996, com o clima desregulado em decorrência do El Niño, o Canal da Mancha teve um de seus anos mais difíceis. Foi nessas condições e com água em 11°C que ele fez a travessia no sentido Inglaterra – França em 11h06min. O resultado a princípio foi avaliado como péssimo por ele mesmo, mas rendeu o título do ano. Então, passou a entender o Canal e decidiu que voltaria para fazer o percurso de ida e volta.

O treinamento foi duro, principalmente os dois treinos de 24 horas em piscina. Mas um dos fatores que o levaram à segunda conquista foi estudar e praticar o taoismo – mentalização e concentração durante a prova. Medo? Sim, principalmente o de ficar inconsciente na água fria. Mas a cabeça e o físico estavam fortes. O tempo que ele levou para atravessar o Canal da Mancha foi de 18h33min, sendo 9h31min na ida e 9h02min na volta. Sim, no jargão da natação poderíamos dizer que ele negativou, e mais uma vez, foi eleito o melhor do ano em 1997.

Os resultados ao longo de sua carreira, o levaram ao Hall da Fama da Natação Internacional. Hoje, Igor de Souza, faz parte do time de profissionais da Speedo Brasil, além de dirigir a equipe brasileira de maratonas aquáticas e treinar atletas anualmente para a travessia do Canal da Mancha. Em junho de 2011, liderou uma equipe de quatro brasileiras que bateu dois recordes mundiais na travessia de ida e volta. Unanimidade entre as quatro membros da equipe: “ele é o cara”.

Fonte: Swim Channel (matéria por Giuliana Braga, Diretora de Esportes Aquáticos da Decathlon e recordista do Revezamento da Travessia do Canal da Mancha).

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